Um pedaço de Bratwurst com caipirinha.

12.4.06

Exposição em Berlim
O cenário é uma antiga escola para meninas judias em Berlim — um prédio com paredes grafitadas e tinta descascando, depois de dez anos sem abrir suas portas. Em cada sala, obras de diferentes artistas estão expostas. No corredor, uma visitante registra tudo com a câmara fotográfica. Pára na porta de uma sala, aponta a máquina, flash. Mas será que ela não percebeu que era só um banheiro desativado?

Não é de hoje que a arte contemporânea levanta a pergunta do que é ou não é arte. Mas na 4 Berlin Biennal — a Bienal de Arte Contemporânea de Berlim — a confusão se torna ainda mais explícita, pois os trabalhos foram distribuídos entre 13 espaços, públicos e privados, ao longo de uma rua, em vez de serem mostrados entre paredes legitimadoras de museus ou galerias.

Três apartamentos particulares, uma igreja evangélica, um cemitério, um escritório, um salão de baile, um contêiner, um porão, duas galerias de arte, um antigo estábulo da agência de correios alemã, uma antiga escola para meninas judias. Distribuídos ao longo da Auguststrasse, esses espaços abriram suas portas para a arte.

A mistura acaba estendendo o olhar curioso atraído pelas obras de arte também para as suas locações. Os quadros na parede do apartamento são dos moradores ou fazem parte da exposição? Perguntas como esta vêm à mente do visitante, e a resposta às vezes surpreende. A cama, por exemplo, certamente é do apartamento. Certo? Errado. Basta passar a seu lado em determinado ponto que ela passa a vibrar freneticamente. A obra é do mexicano Damián Ortega — por sinal, o único representante da América Latina no evento.

Aberta ao público desde o dia 25 de março, a Bienal de Berlim reúne obras de 70 artistas provenientes de cerca de 25 países. A exposição ganhou o nome de “Von Mäusen und Menschen” — “Of mice and men” (“Ratos e homens”), título tirado do romance de John Steinbeck, de 1937. Assim como a obra literária, a mostra lança o olhar sobre a dor e as fraquezas da raça humana.

A dor, o sofrimento, a perda, a impotência são o lado sombrio da exposição; que, como a vida, também tem um lado ensolarado. Na penumbra estão obras como a do polonês Pawel Althamer, que expõe num quarto vazio um sapato de uma jovem imigrante ilegal turca. Ela está hospitalizada depois de tentar o suicídio por estar ameaçada de deportação. Na parede, uma carta do artista ao ministro do Interior, Erhart Körting, pedindo que a deixe ficar.

A pesada carga da História alemã também vaza para a arte, sobretudo no antigo colégio para meninas judias. A Augustrasse era um forte reduto da comunidade judaica em Berlim até a década de 30, e a escola funcionou como tal até 1942, quando foi fechada pelo governo nazista. Reabriu durante o governo comunista como uma escola secundária e, após a queda do muro de Berlim, funcionou até 1996. O prédio permanecia completamente abandonado desde então, e só voltou a abrir as portas agora, para a Bienal.

Longe da penumbra, a mostra traz trabalhos de beleza tocante, como a performance do inglês Tino Sehgal para o salão de espelhos da casa de bailes Ballhaus. Um jovem casal se beija, troca carícias, faz poses inspiradas em obras de arte. No antigo Garnisonfriedhof, um cemitério do século XVIII, quatro caixas de som entoam um cântico de arrepiar. É a voz da artista escocesa Susan Philipsz, cantando a capela a música “Happenings ten years time ago”, dos Yardbirds.

A Bienal de Berlim também tem seu lado divertido. Traz obras instigantes, que despertam a curiosidade, que fazem rir. Como a instalação móvel do inglês Paul McCarthy, que construiu um quarto com paredes mecanizadas que abrem e fecham. O cômodo ora se retrai como um cubículo, ora se abre, estica-se, estende as paredes como asas, enquanto suas portas batem com estrondos que justificam o nome do trabalho: “Bang-bang room”.

A seleção de vídeos da exposição também retrata humores diversos, como em “Tiger licking girl’s butt”, da sueca Nathalie Djurberg, em que um tigre insiste em lamber o traseiro de uma jovem. Já quem quer assistir ao vídeo do holandês Erik van Lieshout — que passou dois meses viajando pela Alemanha de bicicleta para montar um bizarro diário de viagem — tem que fazer fila: o filme passa dentro de um contêiner, onde foi montado um cineminha com toscos assentos de madeira para 15 pessoas por vez.


Fonte: O Globo

30.1.06

Universidades de ponta
Uma comissão de especialistas, sob responsabilidade da Associação Alemã de Pesquisa (DFG) e do Conselho Científico (WR), escolheu as dez universidades que nos próximos anos receberão aproximadamente 25 milhões de euros. Foram escolhidos, do norte ao sul: Universidade de Bremen, Universidade Livre de Berlim, Universidade Técnica de Aachen, Universidade de Heidelberg, Universidade Técnica de Karlsruhe, Universidade de Würzburg, Universidade de Tübingen, Universidade de Freiburg, Universidade Ludwig Maximillians de Munique e a Universidade Técnica de Munique. Nos próximos cinco anos serão instalados entre outras medidas aproximadamente 20 "graduate schools" e 15 "redes de excelência".

31.10.05

Dica musical
Interessado em uma versão do Nine Inch Nails em alemão? Tente o Eisbrecher.

21.9.05


Confusão
Na disputa pelo poder com o chanceler Gerhard Schroeder, do Partido Social-Democrata (SPD), a candidata da oposição, Angela Merkel, da União-Democrata-Cristã/União Social-Cristã (CDU/CSU), recebeu o apoio incondicional do seu partido para a segunda rodada da luta, que começa hoje com negociações para a formação de uma maioria de governo com o Partido dos Democratas Livres (FDP, liberal), com os verdes e com o próprio SPD (mas sem Schroeder).

Merkel foi reeleita (com 98,6% dos votos) líder de seu partido no Parlamento, mas sua chance de formar maioria para ser chanceler é ainda pequena porque o seu bloco partidário, apoiado pelo FDP, conseguiu nas eleições de domingo apenas 45%.

Última carta de Schroeder seria aliança com Lafontaine

Schroeder e Merkel entraram em um silêncio estratégico para evitar perder terreno na tentativa de conquista de um dos partidos pequenos que estão fora do próprio bloco para ter maioria. Schroeder ficaria no poder se conseguisse a adesão do FDP, que, por sua vez, quer atrair os verdes para o bloco de Merkel. Segundo Ekkart Jesse, cientista político da Universidade de Chemnitz, os dois partidos pequenos resistem porque "uma aliança com o bloco oposto seria algo semelhante a um suicídio", a perda completa de credibilidade e de eleitores.

Já a CDU/CSU vai lançar nos próximos dias uma ofensiva de charme para os verdes, como incentivos à energia eólica e a aceitação da exigência de não prolongar o tempo de funcionamento das usinas atômicas do país. Segundo o cientista político Niels Diederich, da Universidade de Berlim, a estratégia de Schroeder é uma "tática de paciência". Se até o dia 18 de outubro — fim do prazo previsto pela Constituição para a formação do governo — Merkel não tiver conseguido ainda atrair os verdes, o presidente da Alemanha, Horst Koehler, deverá convocar novo pleito e, neste caso a CDU/CSU "deverá ir às urnas com certeza com um outro candidato".

Mas um líder social-democrata próximo a Schroeder revelou ao jornal "Bild" uma outra estratégia em último caso. O problema principal de Schroeder, afirmou, é ser derrubado por uma mulher. Se a CDU/CSU apresentasse Edmund Stoiber, governador da Baviera, ou Christian Wulff, governador da Baixa Saxônia, como opção para a chefia do governo, Schroeder aceitaria uma coalizão com os conservadores sem exigir permanecer no poder.

Se nada der certo para os dois lados, o chanceler tem uma última carta na manga: optar pelo que prometeu não fazer, uma aliança com o Partido da Esquerda, de Oskar Lafontaine, que conseguiu 8,7% no domingo. Lafontaine, ex-presidente do SPD e rival de Schroeder, afirmou nada ter contra essa aliança se o chanceler suspender seu programa de cortes sociais.


Fonte: O Globo

16.9.05

Pelé em alemão
A Folha de S. Paulo informa: "O ator John Herbert foi convidado para fazer a narração em alemão do filme Pelé Eterno. O longa, que será exibido na Alemanha em evento do Ministério da Cultura, está sendo disputado por Globo e Record. É o título brasileiro campeão de venda de DVDs (mais de 230 mil cópias até agora).

12.9.05

Provérbios iluminados
Um dos momentos mais dramáticos de O iluminado é quando Wendy descobre que o livro que Jack passara semanas escrevendo consistia de uma única frase ("All work and no play makes Jack a dull boy") repetida milhares de vezes. Só depois de uma visita ao IMBD, fui saber que o diretor Stanley Kubrick usou frases específicas para as versões em outras quatro línguas. Em alemão, ficou assim: "Was Du heute kannst besorgen, das verschiebe nicht auf Morgen" ("Não deixe para amanhã o que puder fazer hoje.").

9.9.05

Centroavante
Deborah Colker embarcou no fim de semana para a Alemanha para selecionar oito bailarinos que se juntarão a outros oito brasileiros no novo espetáculo que ela prepara para janeiro. A obra ainda não tem nome, mas será sobre futebol e incluirá 50 cidades alemãs no roteiro. Antes disso, Colker vem apresentar "Nó", que fez temporada no Rio, para o público de São Paulo, a partir do dia 23 deste mês.

Fonte: Folha de S. Paulo

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